O combate ao tabagismo faz baixar o número de óbitos por doenças devidas ao tabaco?

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A evolução do tabagismo em cada país tem a forma clássica das epidemias, com uma curva ascendente, um pico máximo mais ou menos sustentado e uma curva descendente que não chega à base por deixar uma situação de endemia. No caso do tabagismo, a curva é seguida, com 20 anos de atraso, das curvas epidêmicas do cancro do pulmão, da DPOC e muitas outras doenças, com uma forma gráfica parecida.
A questão a saber é se esta evolução se faz independentemente da nossa intervenção. Além da resposta óbvia do bom senso, há já experiência acumulada que demonstra que o combate empenhado ao tabagismo faz baixar drasticamente o número de fumadores e, alguns anos depois, faz baixar também o número de óbitos por doenças devidas ao tabaco.
Na Finlândia, o uso do tabaco nos anos 60 era muito elevado. Cerca de 60% dos homens adultos eram fumadores. As medidas de sensibilização, seguidas de restrições ao direito de fumar em lugares públicos, fizeram com que, em 1975, a frequência de fumadores nos homens fosse já de 40%. A evolução da mortalidade por cancro de população no mesmo período. Vê-se que a mortalidade começou a baixar com o atraso esperado, mas desceu de facto de 80 casos/100 000 habitantes para 25 casos/100 000 habitantes em 30 anos.
A experiência finlandesa é muito elucidativa, porque a epidemia se expandiu muito cedo nesse país e as medidas de controlo foram iniciadas há tantos anos, o que permitiu já retirar conclusões. Mas a mesma experiência é verificada nos Estados Unidos. Estas experiências em diversos países respondem à pergunta com toda a clareza. De acrescentar, contudo, que estes resultados não foram atingidos de qualquer maneira; foi preciso uma estratégia bem pensada, conduzida a longo prazo com todo o rigor. Não há lugar para facilidades.
O comportamento da mortalidade por cancro do pulmão disparou depois da generalização do hábito de fumar para valores de verdadeira epidemia.
Vale a pena comparar o que se passa em diferentes países. Os países que iniciaram o controlo do tabagismo há mais tempo, como os Estados Unidos e o Reino Unido, apresentam valores elevados, mas a descer a bom ritmo, enquanto Portugal, com início mais tardio, continua a subir.


Escrito por tiagol em Doenças, Prevenção, Qualidade de Vida

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