O cancro e o meio ambiente

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Embora seja fácil dizer que os cancro – como todas as doenças, aliás – surgem como resultado da interacção entre o ambiente e os nossos genes, isto é, são uma consequência dos efeitos do nosso estilo de vida sobre a nossa susceptibilidade genética, é difícil quantificar o peso relativo dos dois factores. Apesar desta limitação, é possível garantir que a influência ambiental é muito mais importante que a susceptibilidade genética.

As agressões ambientais não levam inexoravelmente ao desenvolvimento de cancros

Há muitas outras doenças, mais frequentes do que o cancro, que também se devem, em grande parte, ao nosso estilo de vida. Por exemplo, a tensão arterial elevada, frequentíssima entre nós, leva a acidentes vasculares cerebrais e a enfartes. O sal, a “fast food”, a obesidade, o estilo de vida, o stress trazem como resultado a arteriosclerose e a hipertensão arterial, que condicionam as taxas altíssimas de acidentes vasculares cerebrais e de enfartes em Portugal. (A mortalidade devida a estas doenças é bastante maior que a mortalidade devida a doenças oncológicas).

A espécie humana tem evoluído sempre no sentido da adaptação às novas agressões ambientais, mas essa adaptação é, infelizmente, imperfeita, criando possibilidades de erro. Por exemplo, no que diz respeito aos efeitos do fumo do tabaco, as adaptações são variadas. Nas pessoas que fumam, o epitélio respiratório, que é um epitélio muito delgado, com células altas, colunares, é substituído ao fim de um certo tempo por um epitélio pavimentoso, muito mais resistente. Chamamos a essa substituição metaplasia. Neoplasia significa tecido novo, metaplasia significa substituição de um tecido por outro. E uma forma de conseguirmos suportar as agressões do fumo.

Todas as pessoas que fumam ou vivem em ambientes com fumo têm metaplasia do epitélio respiratório e não morrem por causa isso

Ao desenvolvermos uma metaplasia, que é a prova de que a nossa espécie ainda é capaz de se adaptar, substituímos um epitélio por outro. Mas, em algumas pessoas, ao fazer-se essa substituição, ocorrem erros e isso é que pode causar o cancro do pulmão. Sobre simplificando o problema, poderíamos dizer que muitos cancros do pulmão e de outros órgãos (laringe, esófago e até bexiga) são o resultado de erros que aparecem quando estávamos a procurar adaptar-nos à poluição atmosférica em geral, e ao fumo do tabaco em particular.


Escrito por parreira em Cancro / Cancer

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